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Antártida, o paraíso gelado…

Janeiro 2012.

Antártida é o nome oficial na língua portuguesa, mas Antártica é o nome mais usado nas grafias.

Imagens Wikipedia e Antárctica XXI, fotos de Fatima Hyppolito

O turismo em pequena escala existe desde 1957 e é atualmente auto-regulado pela Associação Internacional das Operadoras de Turismo Antártico (IAATO, em inglês), com a finalidade de preservação ambiental, promovendo de modo seguro as investidas dos 30.000 turistas/ano,  que visitam esse paraíso tão frágil e belíssimo do planeta durante o verão, somente.

O turismo vigiado assegura que o ambiente antártico continue intácto, livre de pestes ,  doenças e do lixo. A concientização começa antes da viagem com informações específicas de como limpar e fazer as malas, principalmente os cuidados com a limpeza dos calçados e das roupas ,  que estarão à bordo dos navios especialmente criados para exploração dos caminhos estreitos entre o gelo, os animais, as ilhas e o continente antártico.  Assim , o turista pode ficar próximo da vida selvagem e de paísagens deslumbrantes de cores azul turquesa e branco, e trazer para casa , através da fotografia, uma experiência única desse pedaço de paraíso gelado,  tão distante da civilização.

Fotos: Fatima Hyppolito, Antárctica XXI e Dina Barile

A Antártida é o continente mais frio do planeta com a temperatura mais baixa registrada na Terra , em 1983, de -89,2º C, na estação russa de Vostok, no seu interior, é também o mais seco,  porque chove menos que no deserto  do Saara, tem a maior média de altitude, 2.300m acima do nível do mar,  e o maior indíce de ventos fortes do planeta, cerca de 320km/h,  onde 99% de seu território está coberto por um manto de gelo formando diversas formas de geleiras,  algumas rochas só são visiveis no verão, e contém 70% de toda a água doce do planeta.

As primeiras incursões nas águas da Antártica foram feitos em 1675 pelo marinheiro mercante inglês Anthony de la Roche (de origem francesa por parte de pai). Depois o Capitão James Cook cruzou o Círculo Polar Antártico em 1773 e 1774, mas nunca avistou o continente.  Em 1820 a Antártida foi avistada pela primeira vez por 3 capitães e seus respctivos navios e ainda é motivo de muita discussão de quem foi o primeiro a chegar lá. São eles :  Fabian Gottlieb von Bellingshausen (um estónio capitão-nascido na Marinha Imperial Russa ), Edward Bransfield (um irlandês capitão-nascido na Royal Navy ), e Nathaniel Palmer (um americano aferidor de Stonington, Connecticut ).  O primeiro desembarque documentado no continente da Antártida foi pelo aferidor americano John Davis na Antártida Ocidental em 1821, e isso também é contestado.

O interesse na época , fim do século XIX  e começo do século XX, era a caça as focas por causa da pele, a caça aos elefantes marinhos e baleias por causa do óleo e também a pesquisa científica ou posse de território. Esse período foi conhecido como a “Era dos Heróis” e os britânicos Robert Scott, Ernest Shackleton e o norueguês Roald Amundsen foram as figuras dominantes dessa época.

Fotos: Antárctica XXI, Dina Barile e Fatima Hyppolito

Vários países reclamavam a posse do continente e por isso foi assinado o Tratado da Antártida em 1° de dezembro de 1959,  que determina o uso do continente para fins pacíficos,  em que as nações se comprometem a suspender suas pretensões territoriais e de recursos por período indefinido, permitindo a liberdade de exploração científicas bem como o intercambio de informações. A Antártida não tem bandeira oficial, pois não é uma nação e não tem governo próprio.

O Brasil aderiu ao Tratado da Antártica em 1975. No início da década de 1980 inaugurou a Estação Antártica Comandante Ferraz. Hoje, 29 países possuem bases científicas na Antártida: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Bélgica, Bulgária, Chile, China, Coreia do Sul, Equador, Espanha, EUA, Federação Russa, Finlândia, França, Índia, Itália, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Peru, Polônia, Reino Unido, República Checa, Romênia, Suécia, Ucrânia e Uruguai.

O turista que sai do Brasil pode escolher chegar na Antártida de duas formas: uma é de navio saindo do porto de Ushuaia , na Argentina, enfrentando 2 dias de mar tuburlento, atravessando os 1.000 km do Estreito de Drake, ou de avião, saindo de Punta Arenas, no Chile e chegando na Ilha Rei George, na Base Aérea Chilena Presidente Frei. O embarque para a aventura começa quando os turistas recebem os coletes salva-vidas e embarcam nos botes Zodiac para chegarem até o navio que os levará pelos estreitos, as ilhas e o continente da Antátida.

Fotos: Fatima Hyppolito e Antárctica XXI

O encontro mais esperado é com a vida animal e os pinguins é a maior atração de todas. Os pinguins são aves que não voam. Suas asas são as nadadeiras, pois são adaptados para viverem melhor nas águas do que em terra e aguentam muito as baixas temperaturas. Suas penas os mantém aquecidos e secos. Existem várias especies de pinguins e nós vimos 3 delas ( o Papua, o de Barbas e o Adelia) bem de pertinho. São nomogâmicos e vivem em colonias, fazem ninhos de pedras, com exceção dos Imperadores e Reis que chocam seus ovos entre suas patas. Machos e fêmeas dividem a tarefa com os filhotes (o macho Imperador faz tudo sozinho até que ele precise se alimentar e só aí, passa a função as fêmeas) , e o reconhecimento de seus pares e filhotes é através da vocalização.

Os pinguins Papua ou Gentoo tem bico alaranjado e uma mancha branca atrás dos olhos cruzando sobre a cabeça. Seus filhotes tem a cor cinza e branco.

Fotos: Dina Barile e Fatima Hyppolito

Os pinguins Antártico ou de Barba apresentam uma linha negra ao redor do pescoço e caçam numa profundidade superior a 100m. Seus filhotes tem a cor cinza.

Fotos: Fatima Hyppolito

Os pinguins Adelia são o arquétipo dos pinguins, com sua cor preta e um puro branco com um anel ao redor dos olhose receberam esse nome em homenagem a espôsa do explorador  Francés Dumont DÚrville. Seus filhotes tem a cor negra.

Fotos: Wickipedia, Waldimir  Seliverstov e Dina Barile.

Outros aminais também foram observados, como as baleias Jubarte, a Focal Weddell, a Foca Cancrejeira, a Foca Leopardo,  o Elefante Marinho, as aves , a Pomba Antática, Cormorão Antártico, Skuas, Petrel Pintado e outras.

Fotos: Fatima Hyppolito

A beleza dessa parte do planeta é extraordinária,  pisar no paraíso que no verão as temperaturas ficam amenas em torno dos 0 graus Celsius, abre um céu encantador com um horizonte tortuoso de magníficas geleiras e icebergs, onde o silencio é quebrado pelos gritos dos pinguins e da natureza.

Enfim , é uma aventura inesquecível !!!

Krishna, da Índia ao Brasil …

Krishna é a oitava reencarnação (avatar) do deus Vishnu, reverenciado como “deus com a face humana”. Na teologia brâmanes, Vishnu é a segunda pessoa da Trindade hindu, a Trimurti. Nesta Trindade, em analogia superficial com a Trindade Católico-cristã, Brahma é o Pai, Vishnu é o Filho e Shiva, o Espírito Santo.

Segundo a crença tradicional, baseada em detalhes encontrados nas escrituras hindus, Krishna nasceu em 19 de julho do ano de 3.228 a.C. na cidade de Mathura, próxima a cidade de Agra, no norte da Índia, teve uma infância feliz e é quase sempre cultuado como uma criança que trás alegria a seus devotos. Ele passou sua juventude entre vaqueiros, pois a vaca é um símbolo antigo da mãe terra e da fertilidade do solo e é sagrada para o hinduísmo e reflete o respeito hindu por todos os animais. A maioria dos hindus são vegetarianos.

Krishna é representado com com uma flauta (símbolo dos vaqueiros) e com a pele azul, a cor do mar e do céu. Ele é visto como um jovem bonito e seu amor por sua consorte Radha reflete a devoção que seus devotos sentem por ele. No Bhagavad Gita (o sexto livro do Mahabharata – a bíblia hindu -  mais conhecido e que conta uma história entre o bem e o mal), Krishna é o senhor supremo, que fala da necessidade de perder o desejo a fim de alcançar a libertação do ciclo de morte e renascimento.

Foto: Fatima Hyppolito  e Imagens da internet

Um dos movimentos religiosos mais conhecido internacionalmente é da A Sociedade Internacional pela Conciência de Krishna, fundada em 1965 por Bhaktivedanta Swami Prabhupada e por seu movimento Hare Krishna por causa do mantra (fórmulas sagradas em sânscrito usadas nos rituais hindus) cantado com essas palavras repetido pelos fiéis. Bastante popular entre as novas religiões com raízes orientais, a Conciência Krishna procura despertar a percepção de Deus através das antigas escrituras védicas, da Índia. Seus devotos são identificados por suas túnicas de cor de açafrão, são vegetarianos, evitam o álcool e drogas e não permitem jogos de azar.

Um jeito muito simpático e interessante de chamar a atenção para a Conciência de Krishna ocorreu em São Paulo – SP, Brasil, no mês de dezembro de 2010, onde um grupo de artistas de várias partes do  mundo apresentaram um show de danças clássicas, artes marciais com tambores típicos do estado de Manipur no nordeste da India, yoga, encenação teatral do Bhagavad Gita e sua filosofia escrita a mais de 5000 anos, pregação, carregados de belíssimas músicas, cores e luxuoso espetáculo com degustação da culinária vegetariana.  O Grupo conhecido como The Magic India faz tours pelo mundo divulgando a cultura, arte e espiritualidade indiana. Um trabalho de fé com a alegria que o Deus Krishna nos dá.

Fotos : Fatima Hyppolito e The Magic India

India, Nova Delhi, um templo de todos os tempos…

Outubro 2010

Quando forem a Índia, em Nova Delhi, separem um dia inteiro, de manhã até de noitinha, para visitarem o magnífico e o mais moderno complexo   cultural de oração e devoção. Trata-se do Swaminarayan Akshardham que significa – casa eterna de Bhagwan Swaminarayan (1781-1830) -,o grande mestre e reencarnação do Senhor Krishna, conhecido por trazer a luz, cultura e espiritualidade num tempo de obscuridade que assolava o mundo.

fotos: Swaminarayan Akshardham e Google Earth

O complexo Swaminarayan Akshardham foi inaugurado em novembro de 2005, uma construção realizada emapenas 5 anos , graças ao trabalho voluntário de 11.000 pessoas entre eles, artesãos e sadhus, totalizando 300 milhões de horas/homem para esculpir 300.000 pedras numa incrível logística de construção, pois as pedras foram esculpidas em outras cidades do Rajastão, longe de Nova Delhi, alcançando até 600 km de distânia, e montadas como se fosse um grande quebra-cabeças.

Mais de 10.000 anos de cultura indiana nos é mostrada aqui através das tradições, da esplêndida arquitetura e das mensagens espirtuais atemporais. Observar suas formas nas pedras entalhadas e esculpidas é um deslumbre que não só nos encanta os olhos, como também, alegra nossas almas e atingem nossos corações. Toda cultura, tradições e devoções indiana estão florindo neste complexo, que nos convida a interagir com seus atrativos e mansagens.

É um lugar sagrado e mágico e todas as pessoas são bem vindas, não importa sua cor, raça, credo, classe social ou nacionalidade. Porém , todos os visitantes devem seguir normas de segurança e comportamento. Em virtude de atentados terroristas ocorridos na Índia, aqui, todos os visitantes passam por detectores de metal, raio x e revistas. Homens de um lado e mulheres e crianças do outro, em fila indiana, literalmente.

É terminantemente proibido o uso de celulares, câmeras de vídeo e fotografia, bem como qualquer outro aparelho eletrônico. E também são proibidos  o fumo, o álcool, drogas, alimentos e bebidas (existem restaurantes e lanchonetes que servem comida fresca e vegetariana, numa variedade de pratos tradicionais quentes e frios).

Os visitantes devem vestir-se com compostura, cobrindo os ombros, o colo e as pernas. Os pés devem estar descalços para pisarem em solo sagrado e a cabeça descoberta ao vento para receber as bênçãos dos céus.

“A experiência Akshardham é uma jornada esclarecedora através da gloriosa arte da Índia, os valores e as contribuições para o progresso, felicidade e harmonia da humanidade.”

O principal ponto do complexo é o Mandir (templo hindu) construído sem aço, em pedra rosa que simboliza a devoção eterna e o mármore branco que simboliza a pureza absoluta e a paz eterna. Tem 43 m de altura, 96 m de largura e 108 m de comprimento, 234 pilares esculpidos, 9 cúpulas ornamentadas, 20 pináculos, 20.000 figuras esculpidas de grandes sábios, deuses, seres celestiais, 500 imagens sagradas de mestres espirituais hindus de Bhagwan Swaminarayan e muitas estátuas de devotos, pássaros e animais embelezanado as paredes do interior e exterior do templo.

Os indianos são amantes da natureza, preservando e oferecendo respeito a seus habitantes. O folclore hindu retrata esse relacionamento maravilhoso, que reflete na cultura e no modo de vida.

A base principal do santuário é uma homenagem aos elefantes, simbolizando todo o reino animal. Esculpida em pedra rosada de acordo com as antigas escrituras da Índia, se estende por 326m, que contam histórias e lendas de elefantes com o homem, com a natureza e com Deus. Cada painel reflete a uma mensagem de harmonia social, paz e fé espiritual. Pesa 3.000 toneladas, tem esculpidos 148 elefantes em tamanho natural, 42 aves e animais, 125 esculturas humanas e cenários decorativos de árvores, trepadeiras e palácios reais.

No interior do mandir , bem no centro, está um santuário com uma estátua em ouro de 3m de altura do sagrado mestre Bhagwan Swaminarayan, onde cada oração sincera é respondida. Possui 8 salas esculpidas e em uma delas tem uma cúpula em forma de um pires, com 12 m de largura. É uma façanha arquitetônica única.

A serenidade divina no santuário inspira paz e felicidade divina.

fotos: Swaminarayan Akshardham

Outras atrações …

O Salão de Valores
Experimente a mensagem atemporal da cultura indiana caracterizado através da vida de Bhagwan Swaminarayan.
O tema do princípio de esculpir a própria vida para o sucesso, felicidade e paz de espírito é retratado nesta exposição. Em 15 dioramas em 3-D, as peças retratam as mensagens de ahimsa (princípio ético-religioso adotado principalmente pelo jainismo e presente no hinduísmo e no budismo), esforço, oração, a moralidade, o vegetarianismo, a harmonia familiar, etc..e apresentações da vida de Bhagwan Swaminarayan. As estátuas em cada diorama são trazidas à vida através da robótica, fibra óptica, efeitos de luz e som, diálogos e música que transportam o público para a Índia do século 18.

O Grande Cinema Teatro…
Um filme épico mostra a peregrinação emocionante e inspiradora de Neelkanth Varni, uma criança iogue, do século 18 na Índia que mais tarde foi conhecido como Bhagwan Swaminarayan. Filmado em 108 locais da Índia , com 45.000 figurantes, mostra lugares sagrados da Índia desde os picos gelados do Himalaia no norte até a costa intocada de Kerala no sul, as festa e tradições espirituais. É um filme que apresenta a glória da Índia e inspira valores como a determinação, o esforço, a coragem, a verdade e a espiritualidade. A tela de apresentação é gigante, 25m x 19m.
Uma estátua sagrada, em bronze, de 8m do menino Neelkanth Varni está na entrada do cinema.
A versão internacional do filme chama-se Mystic India.

O Passeio de Barco
O passeio de barco de 12 minutos é uma experiência espetacular e nos mostra a herança gloriosa de 10.000 anos, como as antigas vilas védicas,  o bazar, Takshashila – a primeira universidade do mundo, num labirinto de descobertas das ciências da Índia.

fotos: Swaminarayan Akshardham

Hora de passear ao ar livre pelos Jardins da Índia ….

Através dos milênios, as pessoas sempre buscam modelos para inspiração, orientação, paz e coragem. Suas vidas irradiam um brilho perene para a toda a humanidade, independentemente de todas as distinções humanas, geográficas e culturais. A Índia, que tem a civilização mais antiga do mundo, que abriga um sexto da humanidade e tem a maior democracia do mundo, produz a partir de sua vasta legião, uma matriz cultural de modelos para o mundo imitar.

Bharat Upvan exala uma magnífica atmosfera natural e cultural através de seus gramados, jardins e estátuas de bronzes de pessoas de grande papel da Índia. São como pedras preciosas da Índia, os filhos, valorosos guerreiros, lutadores da liberdade, figuras nacionais e grandes personalidades, que  inspiraram os visitantes com os valores e orgulho para essa grande nação. É uma flor de lótus especial de sentimentos auspiciosos.

Desde tempos imemoriais, grandes pensadores, cientistas, escritores, personalidades internacionais, santos e sábios de todos os cantos da nossa terra manifestaram a sua fé prolífico nas escrituras religiosas, Deus e o homem. Aqui, cada pétala inspira com mensagens de personalidades de renome internacional sobre a fé em Deus e fé no homem.

Um pouco desta fé pode transformar a face do nosso mundo, e também a própria vida. Sempre que o progresso é visível na terra, lá, a fé tem sido a sua fundação. (Onde quer que haja deterioração moral, lá, uma traição da fé tem sido a sua causa.).

Antes de sair do complexo Akshardham, Yogihriday Kamal compartilha sua mensagem de despedida com você:
Fé em Deus e fé no homem.

Aqui estão algumas das mensagens apresentadas na Yogihriday Kamal (ojardim em formato de lótus):

Há uma Divindade que molda os nossos fins.
William Shakespeare
(1564-1616 CE, Dramaturgo Inglês)

Ser é viver com Deus.
Emerson
(1803-1882 CE, EUA Ensaísta)

Em minhas mais profundas, eu nunca fui um ateu no sentido de negar a existência de Deus.
Charles Darwin
(1809-1882 CE, naturalista inglês)

A força de mola mestra de toda a raça está em sua espiritualidade e morte, mais do que a raça que começa no dia em que a espiritualidade diminui e ganha terreno do materialismo.
Swami Vivekanand
(1863-1902 CE, Sadhu indiano)

Se você não tem uma profunda fé em Deus e paciencia, você será incapaz de enfrentar os atrasos, frustrações e vicissitudes que, inevitavelmente virão.
Martin Luther King, Jr.
(1929-1968 CE reformador, Africano-Americano)

E para terminar o dia sob o luar dos deuses …

“A fascinante teia da vida na Terra é complexa, precisa e bonita. Sua rede frágil mostra uma interdependência intransigente entre homem, natureza e Deus. Portanto o que nós recebemos para o nosso sustento por meio de terra, água, fogo, ar e espaço, é preciso pagar com sacrifício, com corpo, mente e coração.”
Para apaziguar os deuses da terra, água, fogo, ar e espaço, se cantam mantras e fazem oferendas. Essa combinação é feita através das fontes musicais e pequenos santuários , e no centro um lótus de oito pétalas, tudo de acordo com as antigas escrituras para testemunhar os conhecimentos avançados da Índia em matemática e geometria.

“À noite, o centro vem à vida com uma fonte de água colorida musical que ecoa os sentimentos védica da Índia.”

fotos: Swaminarayan Akshardham

Para maiores informações sobre este maravilhoso complexo e quem são os voluntários que idealizaram e construíram este magnífico templo, acessem www.swaminarayan.orgwww.akshardham.com

Namastê …

Lituânia, uma história de resistência …

23 de junho de 2010.

Visitamos a Lituania, em pleno verão vestindo gorro, cachecol, luvas e guarda-chuva, com muita umidade e um frio de 11ºC. Por isso, algumas fotos parecem embassadas, com céus cinzentos. É que o clima é, em média, frio alcançando no verão temperaturas médias de 18ºC no verão e chegando aos -30ºC negativos no inverno com dias ensolarados muito curtos. As pessoas são hospitaleiras e o índice de alfabetização é de 98% para uma população de 3.600.000 habitantes.

Apesar de ser um país-membro da União Europeia, sua moeda é a Litas. A cidade mais populosa é Vilnius, a capital, e os idiomas mais falados são o lituano (oficial), o polonês e o russo. O país e governado pala presidente Dalia Grybauskaite, desde maio/2009 e pelo Primeiro Ministro Andrius Kubilius.  O regime político é a democracia parlamentar com mandado presidencial de cinco anos.

Moedas, a presidente e o primeiro ministro. Fotos da internet.

Os grupos étnicos são: lituanos: 80,6%; russos 8.7%; poloneses 7%; bielorussos 1.6%; e, outros 2.1%.

Religiões: Católica Romana (principal), Lutera, Ortodoxa Russa, Protestante, Evangélica Batista, Muçulmana e Judia.

A República da Lituânia é uma das 3 Repúblicas do Báltico, e foi mencionada em documentos históricos primeiramente em 14 de Fevereiro de 1009. O Duque Mindaugas uniu as terras de etnias lituanas e estabeleceu o Estado da Lituânia para que fosse capaz de oferecer resistência contra a expansão dos cavaleiros teutônicos (alemães das Cruzadas) na região leste da Europa.Sua fundação oficial foi em 6 de Julho de 1253 quando Mindaugas abraçou o cristianismo por razões políticas e aceitou a coroa do Papa de Roma. Assim, ele tornou-se o primeiro e único rei na história da Lituânia. Mindaugas foi assassinado em 1263 por seu sobrinho Treniota e outro rival, o Duque Daumantas. Seus descentes nada fizeram de notoriedade.

O Grão Duque Gediminas, governador do Grão Ducado da Lituânia entre  1316 a 1341, iniciou uma expansão de longo prazo em direção às terras eslavas do leste da Lituânia. Ele fundou a cidade de Vilnius e iniciou a dinastia “Gediminaciai”, sendo que seus representantes tornaram-se membros de monarquias européias.

Um “gediminaitis” chamado Jogaila, tornando-se o rei da Polônia em 1386, promoveu a união pessoal com a Lituânia em 2 de Fevereiro de 1386, adotando o cristianismo como religião oficial dos 2 países.

Jogalia junto com seu primo, o Grão Duque Vytautas,  venceram a batalha de Grüwald (Tannenberg) contra os alemães anexando muitos territórios da Bielorússia, Rússia e Ucrânia, e estendendo o Estado Lituano até as margens do Mar Negro.

Discórdias internas começaram a enfraquecer o Estado durante o século XVI. Mais acordos flexíveis com a Polônia tornaram-se inevitáveis, e, em 1569, a Lituânia assinou a União de Lublin com a Polônia, visando um maior fortalecimento das duas nações.

Durante a segunda metade do século XVIII, o Grão Ducado da Lituânia perdeu quase todos os seus direitos soberanos. A Rússia, juntamente com Áustria e Prússia, engajaram-se na partição da República da Lituânia-Polônia, em três ocasiões, em 1772, 1793 e 1795. Seguindo-se a terceira partição, a maior parte do Grão Ducado da Lituânia ficou nas mãos da Rússia. O nome Lituânia desapareceu do mapa político da Europa por 123 anos.

No começo da 1ª Guerra Mundial, a Lituânia logo foi ocupada pela Alemanha. Com o fim da guerra à vista, os representantes lituanos de todas as partes do país, aproveitando-se de um momento político favorável, estavam reunidos em Vilnius em setembro de 1917 em uma conferência. Os 20 membros eleitos do Conselho da Lituânia proclamaram a restituição do Estado Independente da Lituânia em 16 de fevereiro de 1918, reconhecida pelo Kaiser alemão em março de 1918, pela Suécia em dezembro de 1918, pela Rússia e a maioria dos países do mundo entre 1920.

A Lituânia foi admitida para a Liga das Nações em 1921.

Em 23 de agosto de 1939, antes de lançar seu ataque contra a Polônia, a Alemanha assinou um acordo secreto com a União Soviética dividindo as esferas de influências. O documento ficou conhecido como Pacto Ribbentrop-Molotov (Pacto Hitler-Stalin). Inicialmente, a Lituânia foi relegada para a esfera de influência alemã; entretanto, com a recusa da Lituânia em atacar a Polônia como aliada da Alemanha, ela foi transferida para a esfera de influência soviética, em um segundo pacto secreto assinado em Moscou em 27 de setembro do mesmo ano.

Em 15 de junho de 1940, a União Soviética ocupou a Lituânia. Logo em seguida, a Letônia e a Estônia foram também ocupadas. Em poucos dias , os soviéticos deportaram para a Rússia e Sibéria, aproximadamente, 35.000 lituanos.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha atacou a União Soviética e alguns dias depois, a Wehrmacht ocupou a Lituânia inteira. Uma massiva destruição de judeus foi lançada, envolvendo 200.000 vidas. Milhares foram levados para a Alemanha.

No verão de 1944, o Exército Vermelho cruzou a fronteira da Lituânia uma vez mais, e ocupou Vilnius, ocupando Klaipeda em janeiro de 1945. Mais uma vez, o país caiu sob o poder soviético. De acordo com os Tratados de Yalta e Potsdam entre União Soviética, Estados Unidos e Grã Bretanha, a Lituânia começaria a ser tratada como parte da União Soviética. Milhares de Lituanos, que tinham lutado como soldados nos exércitos da coalizão anti-Hitler, já não poderiam mais retornar para uma terra natal livre.

No curso de 10 anos, aproximadamente 130.000 pessoas foram deportadas para a Sibéria e para outras áreas distantes da União Soviética: a maioria deles sucumbia às insuportáveis condições de transporte e de vida.

Imigrantes russos e de outras nacionalidades soviéticas foi trazida para o território lituano, iniciando-se uma inevitável “sovietização” e “russificação” da vida pública e  o idioma lituano quase foi extinto.

Na primavera de 1985, a perestroika, iniciada por Mikhail Gorbachev, enfraquecendo o poder da União Soviética. Em agosto de 1989, no 50º aniversário da assinatura do Pacto Ribbentrop-Molotov (Pacto Hitler-Stalin), aproximadamente 2 milhões de pessoas da Lituânia, Letônia e Estônia deram-se as mãos ao longo da estrada Vilnius-Talin. A corrente humana sem precedentes media 600 km de extensão. Esta ação pela liberdade tornou-se conhecida como “O Caminho Báltico”.

Em fevereiro de 1990, o Sajudis (movimento democrático de reforma em Vilnius) venceu a eleição para a legislatura da Lituânia, o Conselho Supremo, e em 11 de março o Ato de Restauração da Independência era proclamado. Vytautas Landsbergis era eleito Presidente do Conselho Supremo.

Em janeiro de 1991, o exército soviético tomou a televisão lituana, a rádio e outras instituições vitais do estado, Desarmado, o povo pacífico ofereceu resistência contra o exército soviético e 14 pessoas pereceram neste esforço. Um referendum foi organizado em 9 de fevereiro, seguindo os trágicos eventos de janeiro, na qual a absoluta maioria da população da Lituânia queria a Restauração de um Estado Independente.

Em 11 de fevereiro, a Islândia reconhecia a independência da Lituânia. Depois de um fracassado golpe de estado em Moscou, a Rússia reconheceu a independência da Lituânia em 6 de setembro. Muitos outros países seguiram o mesmo processo imediatamente depois disso.

Em 17 de setembro de 1991, a Lituânia tornou-se membro das Nações Unidas.

Em 31 de agosto de 1992, o último soldado russo deixou o território da República da Lituânia.

Em 01 de maio de 2004, a Lituânia se torna país-membro da União Europeia.

Cuba, até sempre comandante Che Guevara … 3a parte

Abril de 2010.

(texto aguardando aprovação da redação …)

Veja o filme em homenagem à Che

Veja o filme em homenagem à Che

Cuba, até sempre Comandante Che Guevara… 2a parte

Abril de 2010.

Com a vitória da Revolução Cubana, iniciam-se as transformações sociais em Cuba, como a reforma agrária, a reforma urbana, com a ajuda da URSS , principalmente porque o governo dos Estados Unidos estabeleceram um embargo econômico à Cuba com a intenção de terminar com a revolução. (Este é um assunto que merece um capítulo à parte e que farei em breve).

Che Guevara, braço direito de Fidel Castro, é nomeado para o cargo de diretor do Instituto Nacional de Reforma Agrária, ministro da Indústria, do Comércio, do Planejamento, presidente do Banco Central, e embaixador, defendendo a idéia dos mutirões populares, e do trabalho voluntário como forma de resolver rapidamente os principais problemas do povo cubano. Para tanto, participa de mutirões de construção de casas populares, de escolas, de colheita de cana, etc…

Che Guevara em trabalhos voluntários. Fotos da internet

Fidel escreve sobre Che: “(…) Trabalhador infatigável, nos anos que esteve a serviço de nossa pátria não conheceu um só dia de descanso. Foram muitas as responsabilidades que lhe destinamos: como presidente do Banco Nacional, como diretor da Junta de Planejamento, como ministro da Indústria, como comandante de regiões militares, como chefe de delegações de caráter político, ou econômico ou fraterno. (…)Nos dias regulamentares de descanso, empenhava-se no trabalho voluntário. Foi o inspirador e o máximo impulsor desse trabalho que hoje é atividade de centenas de milhares de pessoas em todo o pais, o impulsor dessa atividade que cada dia ganha mais força nas massas de nosso povo. (…)”.

Che Guevara se casa com Aleida March (nascida em 1936) no dia 09 junho de 1959, em Havana. Aleida era filha de camponeses e estudava pedagogia na Universidade de Santa Clara quando Fidel Castro ataca o Quartel em Moncada . Ela passa a interessar-se por política e se junta ao Movimento 26 de Julho que faz oposição ao governo ditatorial de Fugencio Batista e aonde conhece Che Guevara, exercendo com coragem e audácia suas tarefas de mensageira nas ações armadas durante a revolução. Hoje Aleida preside o Centro de Estudos Che Guevara e em 2009, publica o livro – Evocação, Minha Vida com Che – com quem viveu apenas 8 anos. Com Che Guevara , tiveram 4 filhos: Aleida Guevara March, nascida em 1960, médica especializada em alergia como o pai; Camilo Guevara March, nascido em maio de 1962, advogado; Célia Guevara March, nascida em junho de 1963, médica veterinária; e, Ernesto Guevara March, nascido em fevereiro de 1965, também advogado.

Che Guevara com Aleida March e seus filhos. Fotos internet.

Em agosto de 1961, como ministro das Industrias (1961-1965), Che discursa numa reunião da Organização dos Estados Americanos em Punta del Este no Uruguai e denuncia o imperialismo americano e seu aliados. Na volta para Cuba, passa pelo Brasil, numa visita de cortesia  para agradecer ao Presidente do Brasil, Jânio Quadros, declarando : “A posição adotada pelo Brasil, foi sem duvida, o maior fator para que Cuba fosse tratada na Conferencia de Punta del Este como país americano”, conforme registro publicado no Jornal Folha de São Paulo de 20 de agosto de 1961.

O Presidente da República do Brasil, Jânio Quadros, condecora o ministro cubano Che Guevara com a “Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul”, em cerimônia realizada no Salão Verde do Palácio do Planalto, em Brasília – DF, pronunciando as seguintes palavras: “Ministro Guevara: v. exa. manifestou em várias oportunidades o desejo de estreitar relações econômicas e culturais com o governo e povo brasileiros. Esse é o nosso propósito também. E é a deliberação que assumimos no contato com o governo e o povo cubanos. E para manifestar a v. exa., ao governo de Cuba e ao povo cubano, nosso apreço, nosso respeito, entregamos a v. exa. esta alta condecoração do povo e governo brasileiros.”

E ostentando a comenda, o ministro cubano Che Guevara agradeceu: “Sr. presidente: como revolucionário, estou profundamente honrado com esta distinção do governo e do povo brasileiros. Porem, não posso considerá-la nunca como uma condecoração pessoal, mas como uma condecoração ao povo e nossa revolução, e assim a comunicarei com as saudações desse povo que v.exa. pessoalmente representa. E a transmitirei com todo desejo de estreitar as nossas relações.”

Che Guevara e o Presidente Jânio Quadros. Fotos: internet.

Escritos dizem que a outorga dessa condecoração foi o desfecho de uma articulação diplomática, iniciada pelo Núncio Apostólico no Brasil, monsenhor Armando Lombardi, seguindo às instruções da Santa Sé, solicitando a ajuda do governo do Brasil para fazer cessar a perseguição movida contra a Igreja Católica em Cuba. Jânio Quadros solicitou a mediação de Che junto a Fidel. Guevara atendeu ao pedido de Jânio e concordou em ser o intermediário do apelo do Vaticano junto ao governo cubano.

Sendo a “Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul” uma forma do governo brasileiro reverenciar estrangeiros que realizem grandes feitos para o país, tal feito irritou os partidos políticos brasileiros, principalmente os da União Democrática Nacional (UDN), bem como os militares e talvez foi esse um dos motivos que em 25 de agosto de 1961, Janio Quadros renuncia a presidência do Brasil, alegando que “forças terríveis” o obrigavam a esse ato.

Che Guevara representando o governo revolucionário de Cuba realiza várias viagens  por países asiáticos e socialistas (Checoslovaquia, U.R.S.S., China popular, etc.). Presidi também a delegação cubana no seminário de Planificação de Argel (1963).

Em 11 de dezembro de 1964, Che Guevara tem participação na ONU (União das Nações Unidas), fazendo um discurso anti-imperialista onde oferece o apoio de Cuba para as lutas de libertação do Vietnã e do Terceiro Mundo. Dizia : “Nasci na Argentina, isso não é segredo para ninguém. Sou cubano e sou argentino e, se não ofenderem as ilustríssimas senhorias da América Latina, sinto-me tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, como o maior deles, e o momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela libertação de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém…”

Na África toma conhecimento dos movimentos de libertação nacional africanos e quando volta a Cuba, desaparece da vida pública e, poucos meses depois, Fidel Castro recebe a seguinte carta:

À Fidel Castro
Havana. “Ano da Agricultura”

Fidel;

Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando o conheci no México, na casa de María Antonia, quando me propôs juntar-me a você; de todas as tensões causadas pelos preparativos.

Um dia vieram me perguntar quem devia ser notificado em caso de morte, e a possibilidade real desse fato causou um impacto. Mais tarde, soubemos que era verdade, que numa revolução se vence ou se morre (se ela for autêntica).

Atualmente, tudo tem um tom menos dramático, porque somos mais maduros. Mas o fato se repete. Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à revolução cubana em seu território e me despeço de você, dos camaradas, do seu povo, que agora é meu.

Renuncio formalmente a meus cargos no Partido, a meu posto de ministro, à minha patente de comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me vincula a Cuba, só laços de outra ordem que não se podem quebrar com nomeações.

Recordando minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. Minha única deficiência grave foi não ter tido mais confiança em você desde os primeiros momentos na Sierra Maestra e não ter percebido com devida rapidez suas qualidades de líder revolucionário.

Vivi dias magníficos e, ao seu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise caribenha (dos mísseis). Raramente um estadista foi mais brilhante do que você naqueles dias, orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificado com a tua maneira de pensar e de ver e apreciar os perigos e os princípios.

Outras serras do mundo requerem meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que lhe é vedado devido à sua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com uma mescla de alegria e pena. Deixo aqui minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como filho. Isso fere uma parte do meu espírito. Carrego para novas frentes de batalha a fé que você me ensinou, o espírito revolucionário do meu povo, a sensação de estar cumprindo com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que seja. Isso me consola e mais do que cura as feridas mais profundas.

Declaro uma vez mais que eximo Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se minha hora final me encontrar debaixo de outros céus, meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, que te digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, ao que tentarei ser fiel até ás últimas consequências dos meus atos; que estive sempre identificado com a política externa da nossa revolução, e continuo a estar; que onde quer que me detenha sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal atuarei.

Não lamento por nada deixar de material para minha mulher e meus filhos. Estou feliz que seja assim. Nada peço para eles, pois o Estado os proverá com o suficiente para viver e para ter instrução.

Teria muitas coisas que dizer a ti e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias as palavras e não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena deitar mais borrões no papel.

Hasta la victoria siempre! Patria o muerte!

Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.

E a história continua … aguardem…

Cuba, até sempre Comandante Che Guevara… 1a parte

Abril de 2010.

Na cidade de Santa Clara está o mausoléu de Ernesto Guevara Lynch de La Serna, conhecido como o guerrilheiro “Che Guevara”. Junto com ele, descansam os restos mortais de outros guerrilheiros , heróis e mártires para os cubanos, bandidos e malfeitores para o mundo, ou melhor, para alguns países acostumados a impor seu “imperialismo capitalista” como dizia Che, aos países em desenvolvimento.

Santa Clara , Mausoléu de Che Guevara. fotos : Fatima Hyppolito

Os acontecimentos a seguir, são baseados nos escritos que apurei nos jornais “O Estado de São Paulo”, a “Folha de São Paulo on-line”, na revista “Isto É”, na enciclopédia “História em Revista”, sites do Governo Cubano e outras tantas fontes nobres de consulta da internet. Há muito mais para escrever baseado em depoimentos dos sobreviventes da Revolução Cubana (dedicarei um capítulo especial sobre isso), que ao juntar todos os fatos, este artigo não teria fim.

Espero que , por alguns poucos fatos aqui relatados, que em anos anteriores , fomos privados de conhecimentos, possamos entender quem é Che Guevara. Revolucionário e líder político, argentino por natureza e cubano por convicção e coração, cuja negação a aderir-se tanto ao capitalismo quanto ao comunismo ortodoxo, transformou-o num emblema da luta socialista, um exemplo de fidelidade e total devoção à união dos povos subjugados. Digo quem é Che, por que ele ainda vive no planeta, cuja memória é sempre lembrada quando uma foto sua aparece em uma camiseta, num portal, num cartaz, na tv, numa propaganda, num boné, enfim , em todas as mídias que correm pelo mundo.

A foto em questão, uma das imagens mais reproduzidas, veneradas e comercializadas do século XX, foi tirada em 5 de março de 1960 pelo fotógrafo cubano do jornal Revolución, Alberto Díaz, conhecido como Korda e que estava no funeral de quase 100 vítimas do atentado organizado pelos Estados Unidos que explodiu o návio francês La Coubre, no porto de Havana, e que deixou também, mais de 200 pessoas feridas. O navio trazia 492 caixas de granadas e munições compradas na Bélgica no último trimestre de 1958, com um peso de mais de 490 toneladas. As evidências indicavam que, após fracassar os intentos da Casa Branca para cancelar a venda, agentes da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA),  colocaram um moderno artefato explosivo entre as caixas de granadas antitanques, o qual se ativou no momento de retirar a carga situada sobre ele, e após 48 minutos, uma segunda detonação aconteceu, matando e ferindo dezenas de militares e trabalhadores, que neste momento, socorriam as vítimas.

Korda não tinha noção da repercurção pelo planeta da foto tirada de Che Guevara, “com um olhar tão intenso” que o pasmou por alguns instantes e que sua LEICA tão bem capturou. Guevara, no momento da foto, estava ao lado dos intelectuais franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir que ouviam o então presidente de Cuba, Fidel Alejandro Castro Ruz, o seu discurso “Pátria ou Morte”.

Che Guevara nasceu na cidade de Rosário na Argentina em 14 de junho de 1928 em uma família aristocrática. Em 1945 a família se muda para Buenos Aires onde Che se matricula na Faculdade de Medicina e se sobressai como bom aluno e passa a pesquisar sobre medicina e política. Durante o período de férias universitárias, aos 21 anos, percorre 4.700 km com mochila nas costas, o norte argentino numa bicicleta motorizada que ele próprio desenhou e construiu e é quando escreve seus primeiros textos de pensamentos políticos. No ano seguinte, trabalha como enfermeiro da marinha mercante Argentina e viaja em petroleiros e cargueiros para vários países, inclusive o Brasil.

Em 1952, com 23 anos e seu melhor amigo, Alberto Granado, sai em uma aventura pelo sul da Argentina, Chile, Peru, percorrendo 10.000 quilômetros, numa Norton 500 que apelidou de “La Poderosa II”. O trajeto foi registrado por Guevara em seus “Diários de Motocicleta”,  e usados como base para um filme dirigido pelo brasileiro Walter Salles, em 2004. Vendo a miséria, o desamparo, a injustiça e exploração do povo latino americano, Che escreve em seu diário – “Já não sou mais o mesmo” -  e revela seu espírito aventureiro humanitário e afirma não ser apenas um argentino, e sim , um filho da America Latina.

Decide regressar a Buenos Aires e conclui o curso de medicina com o título de doutorado especialista em alergia. Sai novamente de viagem a fim de trabalhar em diversos países com o intuito de descobrir a cura da asma, doença  que o atormenta desde pequeno. Está com 25 anos e não voltará mais para a Argentina.

Na Bolívia, onde ficara seu amigo Granados, para trabalhar na pesquisa da lepra,  conhece o advogado argentino Ricardo Rojo (Autor do livro Meu Amigo Che), que estava refugiado naquele país, por sua atividade política antiperonista.

Che desembarcou na Guatemala a 24 de dezembro de 1953, acompanhado de Rojo e do Dr. Eduardo Garcia, também exilado argentino. Na Guatemala, o presidente Jacobo Arbenz Guzmán desenvolvia um governo Revolucionário do qual Che participou através do Instituto Nacional da Reforma Agrária, trabalhando como médico para sindicatos guatemaltecos.

A 18 de junho de 1954, mercenários pagos pelos americanos invadem a Guatemala provocando um golpe militar e Che é obrigado a sair do país, pois tinha sido condenado à morte por ter apoiado o regime anterior.

Muda-se para o México e em agosto de 1955, e se casa com Hilda Gadea Acosta (Che se separa dela em 1959, e ela morre em Havana, em 1974 aos 49 anos de idade), marxista convicta, militante política peruana,  e com ela teve uma filha, Hilda Beatriz Guevara Gadea, que morreu de câncer em 1995 aos 39 anos.

Che Guevara com sua primeira esposa e sua filha. Fotos: internet

Ainda no México, ganha o apelido de Che, por usar a expressão sempre que fala com os outros. Che (pronuncia-se em portugues “tchê”) é uma interjeção usada na Argentina, Uruguai e no sul do Brasil para dizer Rapaz, Menino ou “Chico” em espanhol. Che vive de fotografar turistas nas ruas da capital, a Cidade do México e cobre Jogos Pan Americanos de 1955, que se realizam no País, contratado por uma agência noticiosa Argentina. Também escreve artigos científicos sobre sua especialidade, alergia.

Conhece Raúl Castro (hoje presidente de Cuba), líder estudantil cubano recém-saído da prisão em Cuba. Poucos dias depois Raúl apresenta Che a seu irmão, Fidel, em 8 de julho de 1955, (Fidel passou um ano e dez meses preso na ilha de Pinos, Cuba, pelo episódio do Quartel Moncada. Fora anistiado por Fugencio Batista, o então presidente de Cuba, a quem derrubaria do poder, três anos depois).

Na madrugada do dia 25 de novembro de 1955 zarpa do porto mexicano de Tuxplan o iate Granma, com capacidade para vinte passageiros, levando Fidel Castro e mais 80 exilados cubanos do “Movimento 26 de julho” criado para combater a ditadura de Batista. Che Guevara embarca com eles para atender os eventuais feridos na chegada em Cuba. Desembarcam no dia 2 de dezembro e juntam-se com mais 18 homens em Sierra Maestra. Três dias depois são cercados e atacados pelos soldados de Batista numa emboscada, sobrando apenas 12 homens. Che Guevara foi um dos sobreviventes que por méritos de guerra foi nomeado “Comandante”.

Che Guevara com Fidel e Raúl Castro e o Iate Granma no dia do desembarque em Cuba e no Museu da Revolução em Havana. Fotos: internet e Fatima Hyppolito

Os sobreviventes refugiam-se em Sierra Maestra e são acolhidos pela população camponesa, protegidos e alimentados. A partir deste pequeno grupo e com a incorporação de camponeses da região, rapidamente se desenvolveu uma guerrilha na Sierra Maesta. Surgiu assim, o “Ejército Rebelde”.

A guerrilha se multiplica e ganha prestígio, tanto dentro como fora de Cuba, com o apoio da URSS, obtendo inúmeras ações vitoriosas contra as tropas do governo de Batista que era apoiado pelos Estados Unidos. Em 1957 Che, que havia sido recrutado para ser médico, vai se destacando nas atividades e é nomeado comandante da 2ª Coluna ( Ciro Redondo).  Invadiu a cidade de Las Villas e, após atravessar toda a ilha, junto com a coluna do amigo Camilo Cienfuegos, em 1 de janeiro de 1959, Guevara toma a cidade de Santa Clara (uma das principais cidades do país).

Com um trator de fabricação americana Che Guevara descarrilha um trem blindado que se dirigia para Santiago de Cuba carregado de armas e soldados para contra-atacar os revolucionários que estavam sob comando de Fidel. Diante da tragédia os soldados renderam-se rapidamente. O trem é agora atração turística, há um museu no interior dos vagões que mostra as armas transportadas no trem.

Santa Clara – Monumento a Ação contra o trem Blindado.  Fotos: Fátima Hyppolito

A captura do trem foi um fator decisivo no triunfo da revolução e com as notícias de que Fugêncio Batista fugira do país, em 8 de janeiro de 1959, Fidel Castro entra triunfalmente em Havana.

E a história continua … aguardem…

Evite doenças e boa viagem…

Ao planejar sua viagem, de preferência, 45 dias antes  ou a qualquer momento, passe em consulta com o médico do

Ambulatório do Viajante
Hospital Emílio Ribas
Avenida Dr Arnaldo 165
São Paulo – SP
Telefone (11) 3896-1366  (agende horário por telefone e leve sua carteirinha de vacinação)

O médico irá verificar sua condição de saúde, os surtos e epidemias em diversas áreas geográficas, no Brasil e nos países que irá visitar e ajusta sua tabela de vacinação, dá dicas de alimentação e de como evitar doenças  e até medicação, se necessário for, para levar na viagem.

Alguns países tem epidemias de cólera, tifo, malária , febre amarela, hepatites, poliomielite, gripes, raiva e outras tantas doenças de que nem imaginamos. Evita-las é um dever.

Tudo é pelo SUS .
Tudo é gratuíto.

Maiores esclarecimentos acessem:    http://www.emilioribas.sp.gov.br/viajante.php

E boa viagem !!!

Equador, Manta, um porto de entrada…

Segundo porto do país, Manta abriga a maior parte dos navios que pescam atuns pelas profundezas do Oceano Pacífico. A visão litorânea é bem distinta da encontrada no altiplano e nos Andes. O Equador, pequena extensão, surpreende o turista pela diversidade das paisagens. No entanto, a circulação pelas estradas é difícil, lenta e perigosa. A mais de 3.500 metros de altitude, pela Avenida dos Vulcões, trecho de viagem pela Panamericana descrito no livro “As Minhas Ilhas”, a surpresa e o pavor se encontram. 

A Base Aérea Americana implantada para combater o narcotráfico, agora coloca Manta nos cabeçalhos dos jornais. A nova Constituição do Equador proíbe a existência de instalações militares estrangeiras. O dólar americano, devido a instabilidade política e econômica, foi adotado, como padrão monetário. Solução para acabar com a inflação.

Para o viajante é vantagem, pois não precisamos fazer câmbio, e, na hora de negociar, fica mais fácil. As jóias de prata utilizando as faces polidas das conchas retiradas das águas locais refletem brilhos e matizes difíceis de descrever. Há milhares de anos, era o padrão monetário utilizado para alavancar o comércio entre as populações indígenas, dispersas pela Costa do Pacífico. Spondylus é o nome da concha, que o artesão corta, dá polimento e confecciona jóias. Preciosidades vindas do mar.

Em 135 anos de democracia, o Equador teve mais de 18 constituições e ultrapassa 64 presidentes. Em certa oportunidade chegou a ter, simultaneamente, 4 autoridades para o posto mandatário.

Em Monte Cristo e arredores, perto de Manta, encontramos unidades familiares fabricando os famosos chapéus de palha. Na construção do Canal do Panamá, foram usados para proteção dos trabalhadores; por esta razão, mesmo fabricados no Equador, são conhecidos pela denominação de “Chapéus Panamás”. Dependendo da flexibilidade, da qualidade da fibra, paga-se de 10 a 100 dólares por unidade. Em média um bom chapéu leva 30 dias para a sua confecção.

fotos: Felipe Daiello

Utilizando a semente de palmeira, o artesanato local apresenta o ecológico marfim vegetal. A “Tágua” é produzida apenas pela planta feminina, quarenta anos são necessários para a produção das sementes. Com dureza na escala quatro e com bom índice de reflexão consegue-se excelentes miniaturas de elefantes, pássaros e até botões. Se não fosse o peso, poder-se-ia enganar o turista, parece marfim verdadeiro.

A cidade com 250.000 habitantes, no todo é pobre. As praias: Murcielago, Barbadilhos são simples; os restaurantes razoáveis e os pratos com frutos do mar salvam o dia. Casas de 1 ou 2 pisos, alguns edifícios, poucos hotéis e mais nada. No terminal portuário não há mecanização para o manuseio dos contêineres e nem instalações petrolíferas de porte.

Equador, nação pobre, há mais de 10.000 anos, no entanto, era o polo de desenvolvimento da região. As visitas aos museus locais permitirão, em outro artigo, descrever o desenvolvimento cultural alcançado pelos povos da cultura Las Vegas. O Equador foi centro avançado da civilização pré-incas. As raízes ainda estão vivas.

*Felipe Daiello é colaborador do blog.
Engenheiro e autor de “As Minhas Ilhas”,
“Enfrentando Tubarões”,
“A Revolução dos Velhos” e outros ,
todos da Editora AGE.

Lituânia, a Páscoa e seus “marguciai”…

A Páscoa, em lituano VELYKOS, é a maior e mais alegre festa em todo o mundo cristão. É a festa da Ressurreição de Cristo, da morte para a vida. Simboliza o perdão, a alegria, o recomeço, a redenção, a nova vida e o sentido do sacrifício.

O ovo é  símbolo de criação e energia geradora, pois após o período da Quaresma e da penitência que ela exige, chega a Páscoa com sua alegria e renovação. Além do mais, é o inicio da Primavera no hemisfério norte, e tudo na natureza começa a despertar, aquecer, a expandir, crescer e os pássaros botam os ovos e os chocam. Dos ovos chocados surgem novas vidas, e em tudo reina a alegria de Deus. Por isso nas culturas pagãs, o ovo trazia a idéia de começo de vida. Costumava-se presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa sorte. Pintar ovos com cores da primavera, para celebrar a páscoa, foi adotado pelos cristãos, nos século XVIII. Nos países da Europa Oriental, como na Lituânia, a tradição mais forte ainda segue os costumes da Antiguidade, e os ovos decorados se transformam em presentes para amigos e parentes.

fotos: internet

Margutis ou Marguciai no plural, são os ovos de Páscoa pintados. Não há nenhum cantinho na Lituânia em que não se pintem ovos de páscoa, confeccionados principalmente dos ovos de galinhas cozidos com muido cuidado para que a casca não se rompa ou tenha rachaduras. A decoração de ovos é antiga, possuindo varias técnicas usadas até hoje. Depois de cozidos, os ovos são decorados com cera de abelha quente e imersos nas tintas, tingidos e depois raspados, formando desenhos geométricos diversos. Os trabalhos mais tradicionais são com tintas naturais feitas de folhas de vegetais, casca de cebolas, beterraba ou cascas de árvores diversas. Tintas industrializadas também são muito usadas ultimamente. Os ovos geralmente são preparados alguns dias antes ou até na véspera, no Sábado Santo e cada pessoa se esforça para fazer o mais bonito.

fotos: internet

O significado dos desenhos e cores na decoração dos ovos nos tempos antigos (antes do cristianismo na Lituania) tinha um significado mágico. Desenhavam sóis (para que não faltasse sol a vegetação), estrelas (para não faltar claridade aos campos, de dia e de noite), cobrinhas (para despertar a vida), diversas folhagens, e padrões diferentes. Significado especial tinha também as cores dos ovos. O vermelho simbolizava a vida; o preto, a terra; o azul o céu;  o verde, a natureza renascente; e o amarelo,os grãos maduros.

fotos: internet

Na Lituânia a celebração de Páscoa acontece bem cedo, logo ao amanhecer com a Procissão da Ressurreição seguida da Missa Pascal. Após a missa os fieis se reúnem para os tradicionais cumprimentos e troca de ovos pintados. Depois correm para suas casas para o café-da-manhã onde uma mesa farta de pães , bolos, pernil e outros quitutes tradicionais os esperam juntamente com uma cesta de ovos coloridos, item indispensável no dia de Páscoa. Há também algumas brincadeiras como o rola-ovos onde rola-se os ovos numa pequena rampa para ver qual ovo chegava mais longe ou o bate-ovos onde batia-se um ovo contra outro para ver qual era o mais forte. Como prêmio você ganha um ovo decorado.

fotos: internet

Desejo a todos uma Santa e Feliz Páscoa e como se diz em lituano LINKSMU SVENTU VELYKU !

Abraços lituanos …  Ana Paula Tatarunas Di Giorno

*Ana Paula é colaboradora do blog.
Pedagoga, filha e neta de lituanos,
participa do grupo de danças folclóricas,
do coral e da revista mensal da
Comunidade Lituana de São Paulo.